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Já repararam como tudo o que falamos no dia-a-dia é um pouco machista? Não necessariamente em seu conteúdo – embora muitas vezes o conteúdo também tenha um pouco de machismo também -, mas na linguagem em si. O exemplo mais clássico são os plurais, por que falamos algo do tipo “temos que entender Os outrOs” e não “temos que entender As outrAs”, ou mesmo alguma outra alternativa como “temos que entender Xs outrXs”.

Uma das regras da nossa língua é: quando um adjetivo admite gênero – masculino ou feminino – e se referir a mais de um substantivo concordará com o gênero dos substantivos se ambos forem do mesmo gênero, mas se o adjetivo estiver ligado a substantivos masculinos e femininos concordará com o masculino – ex: se for duas prisioneiras o adjetivo ficará no feminino do plural, se for dois prisioneiros ficará no masculino do plural, e se for um prisioneiro e uma prisioneira o adjetivo ficará no masculino do plural. Você pode falar que é só uma regra da língua que é exagero chamar isso de machismo, mas é machismo sim – é uma forma muito sutil de dizer que os homens são mais importantes, que na escolha entre homem e mulher escolhe-se o homem.

Muitxs autorxs feministas usavam o @ como forma de abarcar ambos os gêneros, mas começaram a argumentar que o @ também é machista, pois o “o” envolve o “a” fazendo do masculino mais ativo que o feminino, acho isso um pouco exagerado, mas mesmo assim não gosto muito dessa substituição. Começaram então a substitui-lo por “x” que abarca homem, mulher e pessoas que não querem escolher nem um gênero nem outro – sim há casos de pessoas que nascem com ambos os sexos e não querem ter que optar por nenhum deles (o filme XXY mostra isso de uma forma muito tocante). O Alex Castro vai além, ele utiliza todos os plurais que englobam os dois sexos no feminino – por exemplo: se houver um prisioneiro e uma prisioneira ele usará o plural prisioneirAs -, não concordo com essa posição, essa lógica continua representando algo desigual e continua a não englobar quem não quer ter que escolher entre ser homem ou ser mulher.

Por isso que em alguns textos, quando não encontro opções de palavras unissex, por assim dizer, substituo o artigo de gênero por um X – não, não foi um erro de digitação, foi uma forma proposital de não me render ao sexismo presente no nosso português.

Estou traduzindo um artigo em inglês muito interessante que pretendo postar aqui, e a maior dificuldade que estou tendo é como o gênero dos adjetivo e substantivos. Isso porque na língua inglesa os adjetivos e substantivos são unissex, por assim dizer; o próprio artigo que define os substantivos é o mesmo para os dois gêneros – THE – e o mesmo acontece com os possessivos – MY, YOURS, HIS, HERS, OUR, THEIR. Isso pode até ser usado em séries para criar confusões, como quando alguém diz “…my friend” se referindo a uma amiga e a outra pessoa entende que se tratava de um amigo, ou o contrário.

A língua inglesa é apenas um exemplo de como uma linguagem menos sexista é possível, se alguém conhecer outros exemplos por favor compartilhe.

Uma linguagem machista é só um dos aspectos de uma estrutura social que vê a mulher como algo inferior, perceber os aspectos machistas da nossa sociedade é importante, pois é a partir dessa percepção que poderemos buscar alternativas em direção a uma sociedade mais igualitária em que as cidadãs tenham as mesmas liberdades e direitos dos cidadãos.

Eu desejo igualdade… justiça e oportunidade.

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