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Nós mulheres somos muito julgadas pela nossa aparência, isto é fato. Trata-se de uma forma clara de opressão, disfarçada de opinião, do tipo:

Eu não quero julgar, mas uma gorda usar uma roupa tão justa/curta não dá né…

ou

Essa daí só pode estar querendo dar, usando uma roupa tão justa e curta desse jeito…

E não é só quando se usa roupas consideradas justas ou curtas de mais, tampouco podemos andar por ai com roupas muito largas, “pouco femininas”, porque nesse caso estaremos muito desleixadas… sem vaidade sabe?

Os homens podem contra argumentar: Ah, mas nós também somos julgados por nossa aparência!

E são mesmo, mas não com a mesma frequência e intensidade. Um homem não pode andar por ai muito descabelado, mas basta deixar o cabelo curto que não tem muito problema – a mulher não pode andar descabelada e geralmente é julgada masculina quando opta por um cabelo curto e prático. Dependendo do ambiente, exige-se que ele use roupas um pouco mais formais, que fique mais arrumado, mas não tem que se preocupar se está usando uma blusa muito decotada ou muito larga, se a saia é muito curta, se a calça está larga ou justa demais; temos sempre que buscar um equilíbrio entre parecer vulgar ou masculina. A elegância, que geralmente é elogiada, está associada com roupas que valorizem nosso corpo, mas que não o revelem em excesso, e qualquer deslise pode ser motivo para um olhar de reprovação, em qualquer momento podemos passar de elegante a periguete de um lado ou masculina de outro.

O que acho importante destacar é que temos que estar em constante vigilância, agir e nos vestir de acordo com um padrão que muitas vezes não refletem nossas vontades. Eu quero poder escolher que roupa usar sem ter que me preocupar se vão me achar vadia ou sapatão… inclusive eu quero ter o direito de ser vadia, sapatão, barbie, desleixada, puritana, patricinha, ou o que quer que eu queira ser…

Já faz um tempo que tenho me esforçado para não criticar o diferente e, quando surge a oportunidade, defender o direito não só de aparentar, mas de Ser, que todas as pessoas devem ter. Se aquela mulher é gorda e está usando algo muito curto ou justo este é um direito dela, se é assim que ela se sente bem, quem sou eu pra dizer se está certo ou errado? E aquela com um decote revelador, que seja livre pra andar do jeito que achar melhor… se eu quiser sair de pijama na rua ninguém tem nada a ver com isso!

Por isso, convido quem está lendo esse texto a fazer um exercício: sempre que ao ver alguém (homem ou mulher) um julgamento vier à sua cabeça, questione-se, tente reverter essa ideia. Saia de sua bolha e respeite a vontade dessa pessoa de fazer o que quiser com sua própria vida.

**imagens encontradas na página do facebook Moça, você é machista

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