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Há muitas pessoas que acreditam que diante de uma ofensa/traição/crime deve-se pagar na mesma moeda – olho por olho, dente por dente .

Me pergunto o quanto essa atitude é produtiva. Acredito que ela só serve para satisfazer um sentimento de vingança, que contém a mesma violência do ato condenado. Não sou uma pessoa violenta, se agisse violentamente para me vingar de alguém, ambos sairíamos perdendo e nada seria construído.

Um exemplo típico é quem diante da infidelidade vê como melhor resposta outra traição – se ganhei um chifre vou devolver outro. Isso não constrói nada, apenas faz com que ambos sejam infiéis.

Uma atitude realmente produtiva é buscar as raízes do crime/traição/ofensa. Somente quando sabemos o que instiga determinado ato, podemos evitar que ele aconteça.

Um exemplo claro disso, e já aviso que será polêmico, é o estupro. A possibilidade de uma punição violenta (castração ou estupro na cadeia) tem pequena influência na hora em que um homem (ou vários homens) decide estuprar uma mulher – sei que há estupros que envolvem apenas homens, ou mesmo uma mulher forçando sua vontade sobre um homem, mas são muito poucos em comparação. O único jeito efetivo de combater essa violência é evidenciar o machismo por traz do ato, mostrar que há, na nossa sociedade, a visão da mulher como posse do homem (pai, marido, filho); como algo – mais perto de objeto do que de indivíduo – que existe para servi-lo e que não tem vontades próprias. É combatendo essa ideia, mostrando para todo mundo que tanto mulher quanto homem tem vida e vontades próprias, que devem ser igualmente respeitadas, que poderemos construir uma sociedade em que o estupro não será mais uma ameaça constante para todas a mulheres. Para quem gostaria de ler mais sobre o assunto o blog da Lola é ótimo.

Não digo que não deve ter punição, mas não acho que uma punição violenta, que fere a dignidade humana, seja a melhor opção.

Finalizo com algo que acredita-se que Gandhi disse:

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