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Não sou intelectual. Adoro ler, mas não tenho um grande preparo para analisar o que leio, me guio pelo sentir – deixo a intuição me dizer o que vejo e me deleito com isso.

Das muitas coisas que podem caracterizar um bom texto, a que me chama mais a atenção é a capacidade de construir uma ideia de forma coerente, mesmo que essa coerência não seja evidente no instante que lemos aquela palavra/frase/parágrafo.

O escritor que mais me marcou até hoje foi Sartre, acho o jeito poético dele ao dizer coisas filosóficas – que muitas vezes são extremamente indigestas – encantador. Conheci ele pela Náusea, passei pela Idade da Razão e Sursis, hoje estou degustando As Palavras. É definitivo, sou apaixonada por ele desde o começo… paixão à primeira lida. Não sei se entendo sua filosofia – provavelmente não -, apenas acho maravilhosa sua escrita poética e ácida.

O que mais me impressiona é como as idéias se concatenam, de tal forma que para que se entenda plenamente o que é dito é preciso percorrer alguns parágrafos – que geralmente são gigantescos. Vira e mexe, leio um trecho que acho maravilhoso e fico com vontade de citá-lo aqui, quando leio um pouco melhor vejo que ele é tão bom por causa de alguns parágrafos que o antecedem… desisto da citação, ficaria ou muito longa ou incompleta.

A melhor coisa é quando, ao lermos, conseguimos conversar com quem escreveu, perceber quando algo é o fim ou o começo da história/ideia… poder falar “estou vendo o que está fazendo aqui… para que está me preparando?” ou “uhm, vi o que você fez aqui…” seguido daquele sorriso cúmplice.

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