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Tem quem diga que esse negócio de cultura do estupro é um exagero, que nós estamos procurando pelo em ovo. Mas quanto mais leio sobre o assunto mais vejo isso presente no nosso dia-a-dia. Os depoimentos dados para a campanha Chega de Fiu Fiu demonstram isso, alguns deles são extremamente chocantes.

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Não sofro tanto assédio na rua, mas sempre que passo por homens sinto como se fosse ser analisada e assediada, sinto que o melhor é apressar o passo e olhar pra frente como se não tivesse ninguém lá, evitando qualquer olhar que pareça convidativo pra uma cantada. Se pudesse descrever em imagens como me sinto seria como uma pessoa passando por um grupo de gremlins – aquelas criaturas azucrinaldas que querem se divertir com o stress dos pobres humanos ou do coitadinho Gizmo.

Mesmo não tendo experienciado a violência descrita em alguns dos relatos, já passei por algumas experiências de assédio, e mesmo tendo conseguido lidar com elas me senti constrangida e com raiva.

A pior situação foi há uns anos fazia estágio e constantemente levava cantadas do meu chefe – do tipo: meus colegas estavam vendo imagens sensuais de uma mulher no computador e ele perguntou quando eu ia fazer algo assim pra ele (respondi que nunca) – e não sabia como reagir – apesar do assédio ele me tratava bem e era legal-, mas consegui manter uma distância segura. Essa experiência me ensinou que tenho que estabelecer limites, sem medo de desagradar.

Outra experiência marcante foi no carnaval do Rio, estava com duas amigas em Santa Teresa, perdemos a hora e acabamos chegando quando o bloco já tinha acabado, havia muitos homens bêbados na rua e enquanto andávamos alguns tentaram bloquear a passagem de quem eles achavam interessante pra ver se conseguiam alguma coisa – só isso já é um absurdo, tentar impedir que eu vá em frente só faz com que eu fique extremamente irritada. Depois de desviar de um cara ou outro continuamos andando, até que um rapaz bombado com o dobro do meu tamanho tentou me agarrar a força, na hora, sem pensar, puxei o dedinho dele, dei um giro por trás e sai andando – os anos de dança compensaram bem naquele momento, consegui ter um reflexo rápido e fui ágil pra me livrar dele.

Esses são só exemplos, momentos em que o machismo foi mais evidente para mim, mas há outras experiências diversas que me fizeram sentir extremamente desconfortável perto de um grupo de homens desconhecidos. Quanto mais penso no assunto mais vejo esse desconforto no meu dia-a-dia, de olhares insistentes no ônibus a alguém falando algo pra mim na rua.

Uma coisa boa em mim é que sou muito distraída e meio surda, além de geralmente estar ouvindo música quando ando na rua e vou no ritmo do que ouço – geralmente rápido. Isso talvez faça com que mexam menos comigo, ou quando mexem eu simplesmente não percebo. Mesmo assim sempre me sinto constrangida e com um certo medo quando passo por gremlins homens, se para mim já é difícil imagina para as meninas de deram os depoimentos mais chocantes pra essa pesquisa…

gizmo

Isso precisa mudar! Nós mulheres precisamos nos defender e não deixar que isso faça com que nos sintamos inferiores… e os homens que sabem que isso é errado, que nunca viram sentido nessas cantadas grosseiras, têm que repreender pessoas que conhecem e fazem isso… não basta achar aquilo errado e ficar calado.

Isso tudo me lembrou uma campanha argentina muito bacana:

Para finalizar segue o link com os resultados da pesquisa:  http://thinkolga.com/2013/09/09/chega-de-fiu-fiu-resultado-da-pesquisa/.

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